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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Iemanjá, lenda e sincretismo

Entre as lendas e o sincretismo, Iemanjá tornou-se umas das divindades africanas mais conhecidas e cultuadas no Brasil. Sua imagem é um resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos. É a padroeira dos amores, sendo muito solicitada em casos de desafetos, de paixões conflituosas, desejos latentes e sentimentos de vingança. Para as mulheres é uma aliada para o amor... para os homens uma figura dúbia.... fascinante com sua beleza sensual... dilacerante por seu caráter divinal. Uma afrodite dos trópicos... é o ícone da beleza e sedução... da ternura e do amor cândido.
Tem em uma grande potência sob seu domínio: o mar. Em suas mãos encontram-se todos que ousam penetrar seus domínios, daí ser muito cultuada por pescadores e marinheiros, que sempre rogam por sua proteção. É tranquila e violenta, como são suas águas. É, ainda, uma deusa lunar, regendo os ciclos da natureza que estão ligados à água e à lua.
A partir da lenda, ela torna-se um símbolo da mudança, da transmutação e da transcendência... daquilo que vai e vem... que segue seu rumo... que se metamorfoseia... É a mulher que nasce velha, do barro que moldou todos os homens. É a Iemanjá Nanã, que encontra-se no princípio de tudo, feita da materia primordial... Casa-se com Oxalá que cria a humanidade da matéria em que ela nasceu! Muito velha dá a luz a Xapanã... que nasce deformado, fazendo com que fosse abandonado. Sem conseguir lhe dar com sua culpa, Nanã submerge no barro do qual nasceu e lá começa sua errância... das águas barrentas dos rios às águas salgadas do mar... A metamorfose se concretiza conforme o caminho é percorrido. Nanã aos poucos torna-se Iemanjá! A mãe que abandona o filho torna-se a grande mãe dos orixás, a que acolhe e protege até mesmo os que não são seus. Neste caminho Iemanjá vaga pelas diferentes águas a caminho do mar, onde chega jovem! A jovem e bela sereia que encanta e fascina.
O sincretismo a relaciona com Nossa Senhora dos Navegantes. Daí ser homenageada no dia de hoje, dois de fevereiro. Entre a religiosidade e a mitologia Iemanjá firmou seu espaço em nossa cultura, tornando-se uma divindade que habita nossa literarura, nossa música, nosso imaginário!
Lenda das Sereias
Marisa Monte
Composição: Vicente/Dionel/Veloso
Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar
Mar, misterioso mar
Que vem do horizonte
É o berço das sereias
Lendário e fascinante
Olha o canto da sereia
Ialaó, oquê, ialoá
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar
E o luar sorrindo
Então se encanta
Com as doces melodias
Os madrigais vão despertar
Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia
Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia
Toda a corte engalanada
Transformando o mar em flor
Vê o Império enamorado
Chegar à morada do amor
Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar

2 comentários:

Bela disse...

Adorei seu post, Clau! Meu segundo nome é Janaina! Beijos!! Bela

Nina Dias disse...

Oi Clau! obrigada pela visita e pelo carinho!
Adoro lendas e as brasileiras são tão bonitas! Sempre respeitei muito o candomblé com suas figuras místicas e gosto de músicas com referências a elas. Desejo um bom fim de semana! beijos Nina

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