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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Luís de Camões e o Dia da Língua Portuguesa

(provavelmente Lisboa, talvez 1525 – Lisboa, 1580)

As informações sobre a vida de Camões são poucas e vagas. Cerca de 50 anos após sua morte, começam as primeiras investigações biográficas sobre ele, sendo já difícil reconstruir no tempo as circunstâncias de sua vida.
Contudo, pode-se dizer que Camões nasceu possivelmente em Lisboa, embora também haja a hipótese de que sua terra natal seja Santarém, Alenquer ou Coimbra. Seus pais, Simão Vaz de Camões e Ana de Sá, eram fidalgos empobrecidos, o que explica a sua excelente formação cultural. Teria estudado em Coimbra, conhecendo profundamente as ciências e as obras de escritores clássicos (gregos e latinos) e modernos (italianos e espanhóis).
Em 1545, frequentou bastante a corte, fazendo poemas para as damas e vivenciando muitos amores. Dizem, até, que teria se enamorado da filha do Rei Dom Manuel, a infante Dona Maria. Atribui-se a esse amor ilícito o seu desterro para Ceuta, no Norte da África, onde, no ano de 1549, em luta contra os mouros, teria perdido a vista direita. De volta a Lisboa, envolvido com boêmios, feriu um oficial numa desordem de rua, vindo a permanecer preso por um ano.
Foi libertado em 1553, engajando-se no Serviço Militar na Índia. Partiu para a experiência ultramar, permanecendo ali durante três anos. Os conhecimentos de navegação adquiridos seriam utilizados, depois, na composição de Os Lusíadas.
Ao terminar o serviço militar, Camões foi nomeado ao cargo de “provedor-mor dos bens dos defuntos e ausentes”. Viajou muito pelo Oriente. Num naufrágio, na foz do Rio Mekong (Indochina), perdeu sua companheira Dinamene. O poeta salvou à própria vida e aos manuscritos de Os Lusíadas.
Em 1561, foi novamente preso, em Goa, por causa de irregularidades administrativas.
Para sair da prisão, fez poemas que louvaram pessoas de prestígio. Acabou solto e nomeado a outros cargos públicos, sobrevivendo com dificuldades. Na posse do governo português na Índia, em 1567, fez representar a peça Auto de Filodemo. Encontrou alguns protetores, como o cronista Diogo de Couto e o historiador Pero de Magalhães Gândavo. Eles pagaram as dívidas de Camões, deram-lhe roupas e o embarcaram de volta para Lisboa.
Em 1570, o poeta estava de volta a Lisboa. Publicou Os Lusíadas em 1572, dedicando-o ao Rei Dom Sebastião, que lhe deu pensão anual modesta. Camões viveu miseravelmente até o fim da vida. Dizem até que o seu criado chinês, Jau, tinha que pedir esmolas para sobreviverem. O poeta morreu em 10 de junho de 1580, ano em que Portugal passou para o domínio espanhol.
O amor, na poesia lírica de Camões, aparece como um sentimento que eleva o homem, tornando-o capaz de atingir o bem, a beleza e a verdade. Também aparece como um sentimento contraditório pela própria natureza. De um lado ele é manifestação do espírito; de outro é manifestação carnal. Para Camões, o amor deve ser experimentado e não apenas intelectualizado. Em sua poesia lírica, o poeta passa a idéia de que o amor só vale a pena quando for complexo, contraditório. A parte mais representativa da poesia lírica camoniana são os seus sonetos – todos em versos decassílabos –, em que apresenta um verdadeiro ideário do amor.

SONETO
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizades,
Se tão contrário a si é mesmo Amor?



SONETO
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Camões é considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, seja por sua lírica, seja por sua épica, Os Lusíadas. Seu prestígio fez com que a data de 10 de junho passasse a ser considerada o Dia da Língua Portuguesa.


3 comentários:

Nina Dias disse...

oi Clau, Camões, é demais de bom!!Tem poemas lindos!! bj e boa noite! Nina

Ellen Caliseo disse...

Oii Clau.
Que bom saber mais da historia de Camões..seus poemas são lindos!!!
Ótimo Fds!!
Bjs!!!

Josinete Beatriz disse...

Lindo Soneto amiga! Vim retribuir o carinho e te desejar um fim de semana legal! Bjus. Josi

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