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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Seti I, o faraó que se tornou Deus

Faraó Seti I do Egito
(Múmia do Faraó Seti I)

Popularmente conhecido como a primeira encarnação histórica do diabo, o deus egípcio Seth possui a fama de ser o patrono do caos, da intriga e da violência. Apesar de várias controvérsias acerca da imagem de Seth, o que se sabe com certeza é que foi ele o Deus oficial da casa Real do Faraó Seti I.
Seti I foi um dos maiores Faraós do antigo Egito e reinou de 1294 à 1279 a.C. Ele, Seti I, era sacerdote de Seth, e soldado. Seth tinha um templo na cidade de Avaris, e Seti I reconstruiu este templo com opulência e poder. Seti I tentou desfazer a obra de Aknaton, aquele que tentou impor um Deus único ao antigo Egito... Seti era um guerreiro, sacerdote do Deus guerreiro por excelência.
Não podemos dizer que os egípcios eram politeístas no sentido grego do termo, isto é um reducionismo leigo, sequer dá para considerar que praticavam uma religião. Para os egípcios, um rio não era apenas um rio, mas uma porta para tudo aquilo que o rio significava... assim também os Deuses, que se mesclavam uns aos outros como significados se mesclam em seus pontos comuns.
Portanto, Seth era um Deus, sem a menor dúvida, mas o que era um Deus para os egípcios? Certamente não era algo como percebemos hoje. Está muito associado à experiência que os clarividentes têm, qual seja, ao olhar para algo eles vêm tudo o que está associado a este algo.... como se tudo fosse energia.
Seth está relacionado à noite, à lua. Para os egípios, se = homem e set = mulher. Assim, percebe-se que o Deus guerreiro dos egípcios estava também ligado às energias do feminino. Foi também assossiado à serpente. Desta forma, assumiou uma condição ambígua, para uns era um Deus, para outros a própria representação do diabo.

Faraó Seti I do Egito
(Trecho da Tumba de Seti I)

O faraó recebera o nome Seti em homenagem ao Deus de sua família. Seti I, filho de Ramsés I, provém de uma linhagem nobre e de grandes comandantes militares. Casou-se com Toya, filha do tenente Raia, com quem teve quatro filhos: Chenar, que morreu ainda muito jovem; Tia-Sitre; Ramsés II, que sucederia seu pai como faraó; e Hanutmiré, futura esposa de seu irmão Ramsés II. A família de Seti, Dinastia dos Ramséssidas, continuaria no poder por mais 93 anos, até a morte da rainha-faraó Tauseret, em 1185 a. C.
Como governante, cultivou uma política diplomática e econômica de boas relações com outros países, além de ser dedicado às artes e à arquitetura. As manifestações artísticas em seu reinado jamais foram igualadas em qualidade e refinamento.
Ao longo de seu reinado, esforçou-se para restaurar a glória que o Egito havia perdido e para legitimar sua dinastia. Foi responsável por importantes obras de arquitetura e de desenvolvimento artístico. Foi ele quem mandou construir um magnífico Templo dedicado a Osíris, considerado uma das mais belas realizações da arte egípcia. O templo possuía sete santuários: Ptah, Ré-Horakhti, Amon-Ré, Osíris, Ísis, Horus e o do próprio Seti. Existe neste templo a chamada Sala dos Registos onde os relevos mostram Seti I acompanhado do jovem Ramsés perante uma interminável lista de faraós do Egipto. Nota-se que de Amen-hotep III a lista salta para Horemheb, eclipsando os faraós de Amarna e, nomeadamente, o inconveniente Akhenaton. Está aqui patente a grande linha diretora do reinado de Seti I, comum aos dos seus antecessores Horemheb e Ramsés I, reabilitar a glória do Egito e apagar os vestígios da heresia de Amarna. Seti I construiu ainda um Templo dedicado a seu pai, Ramsés I, também em Abido e o seu Templo Mortuário em Tebas.

Faraó Seti I do Egito
(Parede da tumba de Seti I)

O último marco do seu reinado é a construção do seu túmulo no Vale dos Reis, o KV 17, sendo considerado até agora como o maior e mais soberbamente decorado de todo o Vale. Seu túmulo é o auge do esplendor artístico alcançado durante o reinado do monarca. Os baixos-relevos são de um requinte único e a utilização de cores vibrantes dá-lhes uma vida inesperada. É ainda notório pelas artimanhas usadas na sua defesa contra ladrões e saqueadores. A tumba KV17, é a mais comprida tumba do Vale, com 136 metros, e contém as mais bem preservadas relíquias em todas as suas onze câmaras e salas anexas. Uma das câmaras do fundo é decorada com o ritual de abertura de boca do livro dos mortos, uma magia que afirma que os órgãos de comer e beber do morto irão funcionar devidamente. Como acreditava-se na necessidade desses órgãos na "vida do além", esse ritual era bastante importante. O sarcófago da tumba encontra-se atualmente no museu Soane, em Londres. Há ainda, no KV17, um túnel longo, não completamente explorado, que penetra na montanha a partir do local aonde se situava o sarcófago, no túmulo da câmara. As cenas gravadas em suas paredes estão agora no museu do Louvre e no museu de Florença.

Faraó Seti I do Egito

Faraó Seti I do Egito
(Representações de Seti I)

Na câmara mortuária foi encontrado um sarcófago de alabastro, vazio, que está no Museu de Londres. A múmia de Seti I foi encontrada no cache de Deir el-Bahari, em 1881, e hoje está na Sala das Múmias do Museu Egípcio do Cairo. Seti I morreu ainda novo, com menos de 40 anos. A sua múmia é considerada a mais bela e bem preservada até hoje encontrada.
O reinado de Seti foi curto. Contudo, em tão pouco tempo, conquistou a admiração de seu povo. Tanto que, diz a lenda, seguindo a tradição fúnebre do antigo Egito, na ocasião de sua morte seus pertences, comidas e bebidas prediletos, seus criados e pessoas próximas foram encerrados com ele em sua tumba. Alguns de seus súditos, por própria vontade teriam ido junto para reverenciar seu faraó. Com a morte do faraó ele passou a ser assossiado ao Deus... Seti I e Seth passaram a se confundir... e o Deus do caos e da violência passou a ser visto como o Deus que devolveu a glória ao Egito. Seti I tornou-se o faraó que redimiu seu Deus.



1 comentários:

Andromeda pw disse...

Muito boa esta pagina

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