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quarta-feira, 29 de julho de 2009

O ensino de Arte na educação nacional


A arte, na educação escolar, é na verdade, uma área bastante nova. Apenas a partir de 1971, com a lei nº 5692, passou a haver uma regulamentação do seu estudo. Contudo, era ainda tratada como atividade, sendo elevada ao status de área de conhecimento apenas a partir da nova LDB, de 1996.

Pouco tempo temos ainda de educação artitisca na escola. Esta área vem evoluindo com o passar dos anos, mas há ainda muito o que evoluir, deve-se transformar a mentalidade de educadores que devem se especializar.
Tomando como base o trabalho de Bernadete Zagonel, vemos que os PCNs propõem que sejam trabalhadas quatro linguagens artísticas dentro do ensino de arte: as artes visuais, a dança, a música e o teatro. A escola não necessita, simultaneamente, trabalhar todas as linguagens. É, contudo, bom que, ao longo do processo educativo, os alunos entrem em contato com o maior número possível de linguagens artísticas.
A regulamentação do ensino da arte e suas linguagens através de leis faz com que o ensino da arte passasse a ser levado mais a sério. Embora ainda existam professores sem formação específica na área, cada vez mais essa realidade está sendo modificada. Professores mais bem qualificados e especializados na área são um meio de revolucionar o ensino da arte, que antes primava pela cópia e reprodução e agora, busca a produção, a fruição e a reflexão.

Por meio do estudo de arte é possível compreender a história humana e estabelecer relações de fato e de situações. Esse prisma revela que “A arte, na escola,é a oportunidade do aluno explorar, construir e aumentar seu conhecimento, desenvolver suas habilidades, articular e realizar trabalhos estéticos e explorar seus sentimentos. O ensino da arte propicia meios de apreciação estética e de valorização cultural. (ZAGONEL)

Nessa perspectiva, observa-se que o ensino da arte deve priorizar a produção e a criação. O fazer deve ser desejado enquanto o copiar combatido, pois este limita a mente do aluno, e aquele, a liberta e conduz à evolução. Assim,

é preciso que o aluno desenvolva o sentido de análise, podendo entender as suas próprias criações e as de seus colegas, pois assim ele estará igualmente sendo preparado para fazer a análise de outras obras (procedimento fundamental para a compreensão da arte) e para realizar as suas escolhas. (ZAGONEL)

Como toda área de conhecimento, o ensino da arte deve trabalhar com o desenvolvimento humano, com a evolução social, num processo formativo cuja prioridade é o aluno e suas múltiplas habilidades.
Nesse sentido,o estudo da arte deve ter como personagem central o aluno. Ele é a figura na mais importante posição do processo educativo. O prazer no aprender, em produzir arte,

em criar, em improvisar, em ouvir, em ver e apreciar as diferentes formas artísticas. Ele deve se expressar por meio do fazer artístico, ao mesmo tempo em que adquire conhecimento e desenvolve suas habilidades. (ZAGONEL)

O prazer e fruição frente a arte possibilitam um aprendizado mais efetivo. Desse modo, é imprescindível ao desenvolvimento de suas competências e habilidades, que levemos em consideração seus saberes, desejos e perspectivas diante do estudo de artes. Assim, pode-se modificar os rumos da aula de acordo com idéias e sugestões dos alunos (cuidando sempre para não torná-la superficial). Ao aluno deve-se propiciar o ambiente criativo e produtivo, proporcionando, também, o trabalho autônomo.

Bastante adequado para atingirmos essa meta é o ensino feito a partir de projetos, em que os próprios alunos escolhem os temas com as quais irão trabalhar e o grupo todo se envolve na sua execução. (ZAGONEL)

A partir desse trabalho interativo, inventivo e imaginativo, o aluno poderá desenvolver melhor seu senso crítico e analítico, habilidades adquiridas somente com a prática. Deve-e desenvolver no aluno as habilidades de olhar, ouvir, ler e interpretar as artes e o mundo.
Ampliar o olhar para todas as formas de arte, com uma crítica baseada em critérios estipulados, muitas vezes, pelos próprios alunos, pode levá-los não só a ver e entender as obras de arte, mas também o mundo, com mais retidão e tolerância .
Não basta transmitirmos aos alunos uma série de conhecimentos os quais serão identificados, mas não apreendidos por eles. O educador deve trabalhar de forma a desenvolver o conhecimento, fazer com que o aluno dialogue com ele, tenha prazer na aprendizagem e seja um apreciador da arte.
Contudo, que arte deve ser trabalhada? Apesar de a própria produção do aluno ter papel fundamental na aula de educação artística, ele tem o direito de ter acesso a todas as formas e expressões artísticas. Não se pode porém, se centrar em conceitos e elementos de tempos passados dando a eles a possibilidade de conhecer as produções contemporâneas.
Conforme Zagonel,

esse é um ponto importante a ser observado pelo professor, para não edificar sua ação pedagógica somente em cima de conceitos e elementos pertencentes a épocas passadas. A arte no século XX expandiu suas formas de expressão, seu vocabulário, pontos que necessitam ser introduzidos nos programas atuais, diminuindo assim a defasagem entre o que se faz e o que se ensina.

A importância do ensino da arte se concentra em pontos fundamentais: o potencial criativo, libertador e comunicativo, a criação deve permear todo o ensino da arte. O aluno deve ter livre expressão artística e essa liberdade dá ao estudo da arte um caráter libertário. Nesse sentido, a arte assume um papel transformador pois através da liberdade e da criação se pode deixar a imaginação aflorar, expressando aspectos sensoriais e racionais do ser humano.
Segundo Zagonel,

no ensino das Artes Plásticas, é comum ver o aluno ser levado a copiar quadros de pintores famosos, a colorir desenhos ou aprender desenho geométrico, quando ele poderia expressar criativamente suas idéias e transformar a imaginação em meio expressivo.

A arte é uma forma de comunicação e interação humana, através dela o homem, desde os tempos mais remotos, pode desenvolver-se como humano. Dessa forma, tem-se que se observar que a arte não surgiu do nada, rumo ao nada, ele é fruto de uma lenta evolução humana, de sua consciência e de seus atos, surgiu de uma necessidade e sobrevive dessas necessidades. A arte caminha constantemente em direção a satisfazer certas necessidades práticas, sensíveis e oníricas do homem. A arte é, portanto, prática e lúdica, apresenta por isso tanta importância quanto toda e qualquer área do conhecimento.

A arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem e está relacionada com as demais disciplinas. A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana. (ENGELMANN)

A importância do estudo da arte se concentra em seu caráter crítico, libertador e comunicativo. Seu estudo é, portanto, fundamental para o desenvolvimento humano, posto que apartir dele pode-se desenvolver a autonomia do aluno, suas habilidades e seu imenso potencial para transformação de sua visão de mundo e, conseqüentemente, da própria realidade social em que vivem.
O homem é capaz de conferir significados às coisas através de seu caráter comunicativo; através do aspecto crítico, é capaz de pensar e reconstruir o mundo; através do caráter libertador é que se pode questionar, refletir e agir sobre o conhecimento. Nisso se concentra a importância do estudo da arte: em comunicar, criticar e libertar através do constante ato de educar através da sensibilidade artística e da autonomia.

1 comentários:

Filipe disse...

Hummm parece que tem gente estudando bastante... :) beijos.

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